Quando entrava dezembro, já ficava ansioso. Na véspera, era uma animação contagiante. Era o Natal que se aproximava. Contava, a cada dia, o tempo que faltava para a grande data e pulava de alegria quando papai e mamãe resolviam descer do armário mais alto da estante mais alta a nossa árvore de Natal, seus enfeites e as luzinhas pisca-pisca, claro.
Ouvia das tias e da vovó histórias sobre um bom velhinho, conhecido como Papai Noel, que percorria o mundo na véspera de Natal em seu trenó mágico, com suas renas encantadas e um grande saco vermelho, cheio dos mais variados presentes para distribuir quando todos já estavam dormindo.
E tinha a ceia. Todas aquelas frutas, doces, comidas típicas e um curioso tal de "chester", que você só encontra nesse período. A troca de presentes era, sem dúvida, a mais esperada pelas crianças e não é preciso pensar muito para saber o motivo.
No final do dia 25, porém, sempre fiquei triste. Era o momento em que eu sabia que tudo aquilo estava chegando ao fim. Toda a alegria seria substituída pela noite de sono, os presentes já estavam todos abertos e os parentes precisavam voltar para suas casas. Por que o resto do ano não podia ser como o Natal? São seus costumes que o fazem tão alegre, tão feliz? Se essa fosse a resposta, acho que não seria muito difícil de resolver... Mas acho que não.
Porque algo muito além de decorações diversas, cânticos, uma ceia farta e presentes torna o Natal mágico, algo que talvez nós nunca saibamos ao certo o que seja. Mas existe. Talvez seja o famoso "espírito natalino", que ninguém sabe explicar direito o que é, talvez seja o incrível número de pessoas reunidas, mesmo que separadas fisicamente e desconhecidas umas das outras, em busca de uma mesma vontade, uma mesma esperança. Ou quem sabe, para a surpresa e espanto de muitos, creio, Papai Noel realmente exista e carregue em seu saco muito mais do que presentes.
Carregue, talvez, sentimentos de alegria para os que se amam, união para os que, no momento, não se entendem, força para aqueles que perderam tudo.
Não sei o que torna o Natal tão mágico. Não sei se acertei em alguma hipótese, mas torço. Alguma coisa torna o seu Natal mágico? Apostaria minha fatia de chester que sim... Eu não sei o que é, mas existe.





