
sábado, 27 de novembro de 2010
O malandro e a dama

quinta-feira, 18 de março de 2010
Agonia
Por que você ainda luta?
Sempre vão fazer você se sentir inferior
Vão te trapacear, tirar tudo o que você tem
Depois ainda vão te deixar por ai
Em uma estrada que não tem início, meio nem fim
Em uma estrada que você nunca vai sair
Mas vai tentar.
Vai tentar como se fosse a última coisa que você tivesse que fazer antes de ir
E por ninguém ter dito que era impossível
Você vai sair
Mesmo ela não tendo nem início. Meio ou fim
Já saiu antes!
Chore, idiota! Para que nenhuma outra lágrima escorra de sua face desfigurada
Esperneie-se! Para que nunca mais seja preciso
Odeie a tudo, verme! Para que só amar seja possível
Grite, berre o mais alto que conseguir até que não haja mais som...
E reze. Reze para que alguém possa te ouvir
Mas não irão.
Porque nesse mundo ninguém se importa com você.
Mas não deixe de rezar.
E então, finalmente, caia. Para nunca mais cair.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
O Mistério do Natal
Quando entrava dezembro, já ficava ansioso. Na véspera, era uma animação contagiante. Era o Natal que se aproximava. Contava, a cada dia, o tempo que faltava para a grande data e pulava de alegria quando papai e mamãe resolviam descer do armário mais alto da estante mais alta a nossa árvore de Natal, seus enfeites e as luzinhas pisca-pisca, claro.
Ouvia das tias e da vovó histórias sobre um bom velhinho, conhecido como Papai Noel, que percorria o mundo na véspera de Natal em seu trenó mágico, com suas renas encantadas e um grande saco vermelho, cheio dos mais variados presentes para distribuir quando todos já estavam dormindo.
E tinha a ceia. Todas aquelas frutas, doces, comidas típicas e um curioso tal de "chester", que você só encontra nesse período. A troca de presentes era, sem dúvida, a mais esperada pelas crianças e não é preciso pensar muito para saber o motivo.
No final do dia 25, porém, sempre fiquei triste. Era o momento em que eu sabia que tudo aquilo estava chegando ao fim. Toda a alegria seria substituída pela noite de sono, os presentes já estavam todos abertos e os parentes precisavam voltar para suas casas. Por que o resto do ano não podia ser como o Natal? São seus costumes que o fazem tão alegre, tão feliz? Se essa fosse a resposta, acho que não seria muito difícil de resolver... Mas acho que não.
Porque algo muito além de decorações diversas, cânticos, uma ceia farta e presentes torna o Natal mágico, algo que talvez nós nunca saibamos ao certo o que seja. Mas existe. Talvez seja o famoso "espírito natalino", que ninguém sabe explicar direito o que é, talvez seja o incrível número de pessoas reunidas, mesmo que separadas fisicamente e desconhecidas umas das outras, em busca de uma mesma vontade, uma mesma esperança. Ou quem sabe, para a surpresa e espanto de muitos, creio, Papai Noel realmente exista e carregue em seu saco muito mais do que presentes.
Carregue, talvez, sentimentos de alegria para os que se amam, união para os que, no momento, não se entendem, força para aqueles que perderam tudo.
Não sei o que torna o Natal tão mágico. Não sei se acertei em alguma hipótese, mas torço. Alguma coisa torna o seu Natal mágico? Apostaria minha fatia de chester que sim... Eu não sei o que é, mas existe.
Redação - CEFET
Pior do que sofrer por amor talvez seja compartilhar dessa experiência em um dia ensolarado. Ironia inexplicável! Por que os melhores dias acontecem quando menos se pode aproveitá-los? Não aguento mais olhar fixamente para sua imagem em fotos espalhadas por toda a casa. Completamos uma semana. Era, porém, mais divertido contar as que ainda estávamos juntos.
Uma noite em claro se encerra com um súbito levantar da cama. Ainda de bermuda, embora um tanto tonto. Com um chinelo no pé e o outro ainda a procurar, puxo um breve suspiro. Nada parece dar certo. Não consigo encontrar nenhuma das metades que procuro, nem mesmo um par de chinelo.
Porta a fora, pego a bicicleta recostada na soleira. Meus pés frios nos pedais sujos, com a sensação de não saber para aonde estou indo.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Aos Ignorantes
Malditos sejam, intolerantes e impacientes! Matam por incompetência ao invés de prezar pela vida alheia! Onde está o juramento de Hipócrates? Onde está a ânsia e a vontade de cura?
E ainda se acham dignos de trajar o jaleco branco. Cegos pelo poder em que lhes foram confiados. Quem os julgam de senhores da vida? Cansados de salvar vidas? E por isso deixam o outro morrer?
E me pergunto se há algo que possa trazer mais felicidade do que ser responsável por curar uma pessoa! Quanto mais ganham mais parecem ser irreverentes ao que prometeram zelar. Depositamos em suas mãos o que mais temos de importante, na esperança de que farão o melhor possível, na esperança de que cuidarão de nós como se fossemos parte de sua fam
ília. Talvez um filho, um irmão ou um pai.
Se recusam a por em prática o que conhecem por meras normas. Até que ponto vale salvar uma vida? Doamos nossos órgãos, doamos nosso sangue na esperança de proteger alguém que as vezes nunca vimos ou veremos. Por que não podem fazer o mesmo?
Então, é isso que significa usar um estetoscópio?
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Pela Janela do Quarto
Tarde para quem ainda não dorme, cedo para quem acorda. Não há muito movimento na rua e a insônia faz com que eu permaneça acordado até esta hora. O silêncio é quase completo, com a simples exceção de alguns carros que ainda vagam pela cidade e pelos trocadores e motoristas do ponto local que perguntam a que horas sai o próximo ônibus. Adoradores da noite caminham fazendo leves sussurros aos seus companheiros, que riem e outros pe
regrinos retornam para suas casas.Olhando o céu pela janela do quarto faz com que a lua mereça seu destaque. É lua cheia, a lua dos românticos, um brilho encantador. Respiro profundamente o ar fresco e bucólico da noite. Não é possível mais enxergar muitas estrelas no céu de onde olho, mas uma brilha. É você, obrigado pela visita.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Vida de Botequim
Apague o cigarro, livre-se do maço e abandone o copo de wisky naquela mesa de bar. Faça pelo menos esta noite. Tudo que lhe peço são seus olhos, mesmo vermelhos pela ressaca e pelos vícios, para que eu possa te mostrar como este mundo pode ser algo além de uma vida de botequim.
Estou te esperando com o roteiro desenhado pela imaginação logo naquela esquina pouco iluminada, mas acho que você não irá aparecer. Não se preocupe, não me importo se sua maquiagem está borrada...